sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Dia 333

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Hoje é o dia 333 e podia jurar que ainda ontem era o 1. O tempo voa neste ritmo desenfreado em que vivemos.
Há que aprender a sermos mais vagarosos. São passos a dar.
Este fim de semana sinceramente espero que seja vagaroso como faço conta. Coisas que demoram tempo mas que precisam de ser feitas. E com calma.
E um domingo em família, perfeito, daqueles que sempre gostei mas que valorizo cada vez mais.
E sempre um livro, a lareira e, espero, bolo de laranja.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Viagens



“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, sabia que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.”

José Saramago

segunda-feira, 23 de setembro de 2019



"Todos os jardins da nossa infância são o jardim do paraíso. A pele suave desses tempos em que se corria com as pernas arqueadas soltando uma espécie de luz pela respiração. Ríamos a correr para os braços dos adultos numa entrega absoluta. Eles, os adultos, atiravam-nos ao ar e apanhavam-nos com mãos ásperas, e, talvez por isso, quando crescemos nunca mais deixamos de, esporadicamente, sonhar que voamos. E de sonhar com gigantes e anões, pois eram essas as nossas proporções."


O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

Afonso Cruz.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Agustina


"Prefere ser um rico desconhecido, a ser um herói pobre. É melhor do que parece. O homem português é dissimulado, e fez da inveja um discurso do bom senso e dos direitos humanos. Mas é também um homem de paixões moderadas pela sensibilidade, o que faz dele um grande civilizado. Gosta das mulheres, o que explica o estado de dependência em que as pretende manter. A dependência é uma motivação erótica." Excerto do texto "O Homem Português", um dos muitos apontamentos, textos, notas, cartas, pensamentos sem data reunidos em "Caderno de Significados" (Guimarães Editores, 2015)



" (...) O amor está relacionado com a memória. Ama-se só o que nos recorda alguma coisa ou alguém. A memória é um estado de afeição. Em amor, a improvisação não existe. Ele é a pintura emocional duma pintura mental. Portanto, é o terreno mais colonizado que existe.”
 

New Bon Iver ou a semana a começar em grande.

domingo, 2 de junho de 2019

domingos

A minha avó tem 94 anos e não é do Norte, nem nada que se pareça.
Hoje estava a apanhar nêsperas, quando não chegava aos ramos dizia ela foda-se.
É o que dá conviver muito comigo...

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Incapacidades.

Que Deus me dê a capacidade de, após uns dias a trabalhar que nem uma moira e a dormir muito pouco, eu não me sinta como se tivesse sido atropelada por um camião. 
É lixado sentirmos os mesmos sintomas de uma ressaca gigante sem termos bebido uma pinga de alcool. Invejo o Professor Marcelo de morte. 
O que eu gostava de ser daquelas pessoas que ficam fresquinhas apenas com umas poucas horas de sono...

terça-feira, 28 de maio de 2019

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Não exercer o direito* de voto.

É completamente abjecto que num país onde toda a gente tem algo a dizer sobre os outros, onde se escrutina tudo e todos nos cafés e redes sociais desta vida, se decida fazer vista grossa, ou quiçá praia num dia de eleições.  
Os números da abstenção são vergonhosos. Vergonhosos. O mais triste é ouvir as pessoas dizerem que de nada serve votar... não me venham com as tretas do está tudo farto e desmotivado. Desilusão devia ter o efeito contrário nas urnas.
Cada vez tenho mais vergonha deste país. Como disse alguém à uns anos atrás, o Júlio César é que ia gostar deste povo, para os Romanos era preciso pão e circo, actualmente o circo é suficiente.




*Eu trocaria o direito por dever.

sábado, 18 de maio de 2019

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Do tempo



“Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamim Franklin, ‘tempo é dinheiro’. Isso é uma monstruosidade. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo. E justamente a luta pela instrução do trabalhador é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: ‘eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize’. As bibliotecas, os livros, são uma grande necessidade de nossa vida humanizada".


(Antonio Candido -compartilhado por Amanda Machado)

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Realive





When you get rid of everything you ever were... what's left?
What did you wanted it to be?
What was yet to come?
The best was yet to come.
The best was always yet to come.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

the best

O canto de Aquiles.




"O que tinha Deidamia pensado que iria acontecer quando mandara as suas companheiras dançarem para mim era a pergunta que eu fazia  a mim próprio. Teria de facto julgado que eu não iria reconhecê-lo? Eu conseguia reconhecê-lo apenas pelo tacto, pelo odor, reconhecê-lo-ia, mesmo que fosse cego, pela sua respiração e pelo ruído dos seus passos. Reconhecê-lo-ia na morte, no fim do mundo."

?




Onde andei eu mais de trinta anos sem nunca ter provado farinha de alfarroba? 
Foi amor à primeira. Seja em pão, em bolos, em panquecas...
Quem gosta de cacau não tem como não gostar da farinha de alfarroba, uma maravilha.
A receita desse bolo da imagem é esta.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Não sou só eu.




Ainda bem que hoje li este post da MAC.
Fiquei a pensar que o problema fosse da minha televisão que já é velhinha.
Pelos vistos o episódio foi gravado às escuras. Devem ter tirado a ideia ao João César Monteiro.

domingo, 28 de abril de 2019

Da bipolaridade de tudo.





Não chegava uma pessoa ser assim para o maluca, o tempo anda na mesma. Esta semana consegui a proeza de acender a salamandra, - numa noite muito fria, juro, até caiu granizo nessa tarde - e hoje já andei de sandálias e vestido de cavas.
E sou a Maria friorenta.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Factos


Voltar




Muitas  vezes tenho pensado em voltar, acredito mesmo que volto. Esta coisa do blogue faz-me falta. Mesmo que já ninguém ligue, este blogue foi feito para mim e faz parte de mim. Sempre foi o equivalente a uma consulta de psiquiatria. Tenho saudades dele todos os dias.
Ontem andava a ver uma coisa maravilhosa - perdoe-me quem sabe, mas, nesta coisa de tecnologias, sou muito tardia - um tal de arquivo de albúns das nossas contas, ou seja, estão lá todas as fotografias que têm feito parte deste blogue, que fez 10 anos este ano. 
O engraçado é que me continuo a rever em tudo, nas imagens, claro. Não tenho o hábito de ler coisas antigas do blogue, mas mal de mim se continuar a mesma. Mas não. Felizmente.
E aí reside a questão. Eu quero voltar e tenho falhado porque não quero voltar outra Ana, quero ser a Ana de antes. Mas nunca somos os "nós de antes". Mudamos, mesmo que não o queiramos. E acredito que é muito mais fácil aceitar quem decidimos ser do que aquilo que nos tornamos. Porque a vida muda-nos, tudo nos muda. E não controlamos quem somos. Na maioria. 
Isto tudo para dizer que vou voltar. A "eu" de agora vai voltar.