Alguns dias.
Reincidente, ela invade, assalta meus desejos de alegria, sequestra minhas vontades e rouba alguns dias meus para não fazer nada com eles. Suspende a minha produtividade para o trabalho e também o meu delicioso ócio, fecha meus livros, esfria o apartamento e me aponta a cama - único lugar que me permite frequentar - para me fazer deitar com o medo, a culpa e as solidões, novas e remotas; estridentes e finíssimas; loquazes e discretas; diurnas, noturnas, diuturnas, soturnas. Se escondo o rosto debaixo do lençol, para esquecer um pouco dela, ela coloca uma das mãos sobre os meus pés. Se arredo sua mão, ela vem arrumar o travesseiro na minha cabeça; maternal no gesto, inquisidora na presença.
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