quinta-feira, 10 de abril de 2014

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Os meus maus dias continuam e não têm fim à vista, a Vega fugiu de casa na noite de anteontem, não faço ideia de onde ande, ninguém a viu. Já me culpei vezes sem conta e continuo a culpar-me, porque podia tê-la esterilizado e nunca o fiz. Ela tem sete anos e nunca me tinha fugido, andei a adiar anos a esterilização dela, o perigo não era grande porque ela está sempre em casa e não tem hipótese de fugir. Quando a levei para casa não sabia nada sobre tantos cães abandonados que andam para aí, sempre pensei que ela teria filhos, quando deixei de ter essa ideia devia tê-la logo esterilizado, devia ter esquecido o pânico dela sempre que vai à veterinária, porque era para o bem dela. Nunca pensamos naqueles pequenos pormenores porque basta um cão estar à porta, e num segundo ela põe-se a correr e nem quer saber que a chamem.
O mais provável - se aparecer - é que venha prenhe... mas não é isso que me aflige mais, o que me aflige é uma cadela daquela raça, daquele tamanho andar por aqui à solta. Ela é um amor com pessoas mas com animais já não se pode dizer o mesmo, e até pode morder uma pessoa, pode ser atropelada, pode ter caído num poço... ando com a cabeça a mil, já pensei em tudo e mais alguma coisa. As pessoas têm-me sossegado porque dizem-me que quando elas fogem com um cão não querem saber de casas, nem de animais, nem de nada, têm tendência para ir para o meio do nada e depois voltam para casa passados uns dias cheias de fome e cansadas por não terem dormido. Eu lá vou tentando convencer-me de que não cale a pena sofrer por antecipação por algo que ainda não aconteceu e pode nem vir a acontecer. Sei que isto tudo era escusado se eu tivesse tido o bom senso de a ter esterilizado ou, pelo menos de não lhe dar acesso à porta, estava confiante de mais e lixei-me. E detesto tudo o que me fuja do controlo... Andei tanto na madrugada de ontem que estou toda partida, ainda fui de carro antes do fim do dia a todos os lados possiveis e imaginários, e nada. 
É esperar. E esperar é péssimo. Ando em modo piloto automático sempre à espera que me caia uma bomba em cima. Que ela ataque alguém, que seja atropelada, que sei lá... outras vezes mentalizo-me que tudo vai corre bem, ela vai aparecer sem mal maior, que vai à veterinária, trata-se do assunto e é castrada. E ando entre estes dois pensamentos, cheia de incertezas... 

8 comentários:

JPG disse...

A angústia da espera...

Beijo e que ela apareça com um olhar feliz :)

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

A Vega está muito bem e acredito que não esteja infeliz. É apenas uma experiência de liberdade!

Sobre a obsessão da esterilidade... não significa necessariamente que se deixe "cobrir" se não quiser...

Também tenho um Bosco, meio oficial meio oficioso, mas gosto de saber de saber que são daqueles cães que podem ir longe sozinhos mas voltam sempre e rápido, e sobretudo têm um imenso amor ao sítio onde estão :) Gosto de cães meigos e obedientes... caso contrário não os teria sequer...

Mas a Veja está optima. Um dia aparece... e pronto ;)

bjo

Sílvia disse...

Via correr tudo bem. Espero que apareça o mais rápido possívl. É um desespero quando desaparecem :(

Amanda M. disse...

Que pena, Ana! Que Vega tenha um regresso breve, que as suas preocupações se dissipem e que o descontrole da situação não seja grave. A incerteza é uma dor sem igual, mas não há remédio, todos somos reféns dela. Traga boas notícias...beijos! Fique bem!

Lacorrilha disse...

Bolas! Que corra tudo pelo melhor!
beijinho

Paulo Vicente disse...

Ok, é uma altura daquelas...

https://www.youtube.com/watch?v=GeI5ke0BENw

Bem, já que um cenário na tua imaginação é tão válido quando outro, mais vale imaginá-la bem, e conhecendo os cães até pode ser provável, eles têm bastantes ferramentas no arsenal deles para andar fora de casa, cheiram os caixotes com lixo comestível, sabem encontrar sitio para se esconderem e dormir, e quando isso falha têm os "olhinhos" para sacar uma ajuda aos humanos que encontrarem.

Estão melhor equipados para fazer "férias" na rua do que nós.

Beijinhos

Anónimo disse...

Que chatice! Nem tenho palavras para te dizer porque também fiquei preocupada.

koklikô disse...

Oh Ana que chatice ... Mas os cães, como sabes, são super inteligentes; vais ver que ela foi fazer o que tinha a fazer e quando estiver despachada volta :)
Um grande beijinho para ti e que tragas boas notícias muito em breve.