quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O assunto do momento.

Eu não considero ter sido praxada. Entrei na segunda fase e naquela altura as praxes já tinham começado há algum tempo, cheguei já a meio e, como conhecia Coimbra e já lá vivia muitos pensaram que eu vinha de outro curso, e embora eu lhes dissesse que era caloira, não acreditaram logo à primeira. Tive padrinho, madrinhas, aquelas coisas todas, tive um desfile da latada muito giro, fui batizada e tudo mas sem grandes filmes.
Na casa/residência onde vivi foi diferente, houve praxes mas não fiz a maior parte das coisas, não quis, disse que não fazia, disseram que assim eu não podia usar o fato e tinha de ir assinar um papel, eu disse que não assinava porra nenhuma e enquanto o fato fosse pago por mim eu vestia-o se quisesse - mal empregue dinheiro porque raramente o vesti, só nos desfiles. Na residência lá estranharam mas não fizeram mais nada, com me disse uma delas mais tarde, tu chegaste aqui com a postura de eu venho viver para cá e quem quiser que me ature, quem não quiser não ature.
Isto para dizer que não tive problemas nenhuns, no curso não praxei, aliás o meu ano ficou conhecido pelos não praxistas, porque levávamos os caloiros para a tasca e não queríamos saber do resto. 
Eu sei que nem toda a gente no primeiro ano da faculdade, numa terra estranha, com tudo estranho tem a coragem de fazer frente àquelas doidas e doidos que andam para lá aos berros feitos tontos a enxovalhar os outros só porque se sentem bem assim e chamam a isso integração mas é preciso que as faculdades também tenham estruturas que defendam quem não queira ser praxado. Não tenho nada contra, quem quiser ser, que seja, quem não quiser também tem de ter o mesmo respeito. 
Mas que vi muita cena triste e que na minha altura nas praxes andava por ali muita gente frustrada, andava. 

(no caso em particular do Meco, tudo o que se sabe são especulações, ainda por cima do correio da manhã... mas se aquilo tudo tiver sido resultado de uma praxe deve ser visto como um crime porque, a ser verdade, foi um crime.)

3 comentários:

luisa disse...

Em Lisboa, no meu tempo de universitária, não havia praticamente praxes nenhumas. E não me lembro de fazerem falta. Não me parece que a integração de novos alunos sofresse com isso. Tenho dois filhos.Ele não foi praxado. Ela foi e também praxou mas, do que ela me reportava, nunca me pareceu nada de mal. Em contrapartida há praxes que considero intoleráveis e outras totalmente estúpidas.

Sobre a tragédia do Meco corre muita tinta e muito comentário. Espero que se consiga perceber melhor o que realmente aconteceu.

S* disse...

No curso ao lado do meu chamavam putas e afins às mulheres. E gozavam com as roupas delas. Isso nunca admitiriam!

Anónimo disse...

Eu também fui praxada e praxei. A coisa mais parva que fiz foi apanhar as folhas do jardim da Gulbenkian. Nunca ouve nada exagerado mas sei de colegas meus noutras faculdades que passaram noites presos aos semáforos. Concordo contigo. Só atura isto quem quer ou quem tem falta de personalidade. E o resto é conversa.