sábado, 26 de janeiro de 2013

Cheira a lareira

Dizer que se tem saudades do verão pode parecer um cliché mas a verdade é que tenho. Sou uma pessoa dos dias longos, dos calções de ganga, das calças de pano e das camisolas de alças Não se pode lutar contra o que se é. 
Por aqui já se notam os dias maiores, o sol - quando o há - já vai embora mais tarde mas este ar que se respira não deixa de clamar pelo conforto da casa. Ainda ontem fui passear as cadelas e esta aldeia parecia estar enterrada em nevoeiro. mas não era nevoeiro. Era o fumo de tantas lareiras, acesas para aquecer as casas.
E este fumo faz-me lembrar as tantas vezes que me sentava à lareira com o meu avô, a ouvir as histórias dele  - e ele tinha sempre tantas histórias para contar - podíamos passar horas naquilo, estava frio, estava a chover - ela é precisa, dizem os mais velhos e com razão - o meu avô lá arranjava o lume de vez em quando e, naquela altura como hoje, lá ficávamos a cheirar a lareira por todos os lados. É um cheiro que enerva, detesto cheirar a lareira, sobretudo o cabelo, mas é um cheiro que me leva de volta no tempo, numa altura em que as minhas únicas preocupações na vida eram escutar bem as lições que o meu avô me dava porque podia fazer-me uma pergunta a qualquer momento. 
Dá-me impressão que deve ser a coisa que os adultos têm mais saudades, da altura em que não haviam preocupações nenhumas.

2 comentários:

Milaresendes disse...

És uma verdadeira poeta! Que lembranças tão impregnadas em palavras soltas...
Não tive uma experiência de lareira acesa e de um avô a contar histórias, mas sinto a singeleza do sentimento de pertencer e de acolhimento e isso é partilhado nas minhas lembranças.
Estive um pouco ausente nesta semana pois estou sem internet em casa e dependendo de vir a lan house... mas logo, logo estarei on line in home!
Aproveita o inverno e a possibilidade de acender a lareira, estou me lamuriando devido o verão e seus calores intensos... rsrsrs
Ótimo fim de semana!
Bjkas
Mila

Anónimo disse...

Ai Ana, é mesmo isso. Quando por aqui se acende a lareira vem-me à memória a comida feita no pote. Adorava ir de férias da páscoa para a aldeia com os meus avós porque tinha comida feita no pote e dias inteiros à lareira com a minha bisavó. Hoje não gosto de lá ir. Sinto muito a falta dela.