Casa na chuva
"A chuva, outra vez sobre as oliveiras.
Não sei por que voltou esta tarde
Se minha mãe já se foi embora,
Já não vem à varanda para a ver cair,
Já não levanta os olhos da costura
Para perguntar: Ouves?
Oiço, mãe, é outra vez a chuva,
A chuva sobre o teu rosto."
Não sei por que voltou esta tarde
Se minha mãe já se foi embora,
Já não vem à varanda para a ver cair,
Já não levanta os olhos da costura
Para perguntar: Ouves?
Oiço, mãe, é outra vez a chuva,
A chuva sobre o teu rosto."
Eugénio de Andrade
Escrita da Terra (1974)

4 comentários:
É daquelas coisas que gostaríamos de ser nós a escrever.
Fica-nos a consolação de alguém ter tido esse talento e mérito e nós a sorte de podermos admirar.
Beijo.
Arrepiante!
Lindo poema.
Apesar das previsões, aqui para os meus lados têm estado uns dias muito primaveris!
Quando ouço a chuva de vez em quando também regresso à infância... porque será?
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