"Não, não vou falar da morte que marcou este fim-de-semana, vou falar sim da desilusão que senti com a quantidade de crueldade e hipocrisia com que me deparei por conta disso.
Também não me vou alongar porque nem sei se vale a pena perder o meu tempo com esse assunto, uma vez que me parece que as pessoas não vão mudar.
Queria apenas dizer que se qualquer outro homem de 65 anos com uma namorada de 21 tivesse morrido nas mesmas circunstâncias teríamos um povo chocado, os homens pelas mesmas idades iriam estar horrorizados com a situação, o povo lamentaria o que se passou independentemente de simpatizar ou não com o senhor em questão mas, como o Carlos Castro era gay e em vez de uma namorada de 21 anos tinha um namorado as pessoas riem, dizem que teve o que mereceu e sentem que não tem mal fazer piadas sobre o assunto.
A questão aqui não é se concordamos ou não com a homossexualidade, se nos sentimos ou não confortáveis com o assunto, estamos a falar da morte de uma pessoa, de uma morte não natural e trágica, com contornos obscuros e complexos e desculpem a honestidade mas meus amigos isso… isso não tem piada nenhuma e o simples facto de andarem por aí a rir disso e a fazer piadas sobre o assunto mostra uma pobreza de espírito que me deixa completamente desiludida e chocada, não sei se mais, mas pelo menos tanto como a morte em si. "
7 comentários:
Acredita.. há muitos muitos pobres de espirito que "gozam" com esta situaçao.. isso sim e que e triste ver que ainda existem pessoas assim
com ternura :)
A morte da Madre Teresa de Calcutá não foi encarada como a do Hitler. Obviamente a caricatura apenas pretende que se perceba que a sensatez deve imperar.
Quem leva uma vida regida por padrões pouco compatíveis com a decência (ganha a escrever crónicas sobre escândalos de figuras públicas), usando o seu "poder" para cativar jovens para o seu ninho (ou acham que este e anteriores rapazolas se deitavam com ele pelo seu charme) - a propósito, tu e eu conhecemos uma moça que se envolveu afectiva e sexualmente com o jovem), não pode esperar que na hora do seu desaparecimento a decência impere.
Da mesma forma que um traficante que morra num confronto de gangs, naturalmente as piadas podem surgir. Ou um toureiro com um chifre no ânus.
Por um prisma mais "cool", se o CC era muito à frente no tempo dele, talvez até gostasse que a malta fosse "nice" ao ponto de parodiar sobre um saca rolhas nos túbaros.
Quanto ao acto, é bárbaro e atroz.
Quanto à perda, os seus familiares e amigos senti-la-ão, mas a sociedade em geral, não.
Só para terminar, hoje ouvi uma mãe de um adolescente desabafar: "são pessoas destas que me metem medo. Chegam com falinhas mansas e como são famosos, dão a volta aos jovens. Para certas idades e certas cabecinhas, este velho é um perigo".
Como escrevi aí acho que é uma desilusão com as pessoas e com as suas atitudes que não tem explicação.
Beijinhos grandes
JP:
Não me refiro (a S.não se refere) ao homicidio em si ou aos contornos porque na realidade ninguém sabe o que se passou.
Apenas me indigna a generalização que foi feita aos gays. cheguei a ler em muitos lados que só pelo facto do senhor ser gay era um fim merecido e que todos os gays mereciam esse fim. Isso é que me entristece.
Beijinhos
Obviamente que a orientação sexual nem se deve colocar.
Mas não se deve colocar para atacar, nem para defender.
Ou seja, entendo que o facto se serem pessoas do mesmo sexo, não retira nem acrescenta nada a este crime (independentemente de quem, como ou porque o cometeu).
No entanto, homem, mulher, homo ou hetero que leve uma vida com a leviandade que o CC gostava de exibir, perturbando sem remorsos a vida de tontinho(as) que fazem tudo (literalmente) por uns momentos de fama, levam-me a pensar que se trata praticamente de um acidente profissional. Como dizem os americanos "Sheets happen..."
Mas este é o meu lado anti-(anti-homofóbico) a falar, pois anda por aí uma corrente de pensamento que condena quem não for homossexual, conotando-o imediatamento como homofóbico.
Em alguns meios que frequento (e tu conheces), parece que o normal é ser-se gay (não sei como nasceram, mas tudo bem) e quem não for, está ultrapassado no tempo e não sabe o que é realmente viver.
Beijinhos.
P.S. - vou ver o House que hoje estou quase com tão "bom humor" como ele.
Eu tb tenho ouvido/lido cada pérola que até me assusto.
É uma tristeza.
É fácil aos pobres de espírito escarnecerem sobre a vida dos outros, em especial daqueles que têm vidas diferentes. Mas as pessoas são adultas e sabem de si próprias, ninguém tem nada que opinar, muito menos criticar.
Mas parece que muita gente neste país - comunicação social incluída - "precisa" destas coisas!
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